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Mostrando postagens com o rótulo Bolsonarismo

Violência Política e Eleições | com Felipe Borba & Vinícius Israel | 137

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Temos visto que os episódios de violência política relacionada às eleições têm aumentado no Brasil, ultrapassando inclusive o número de eventos em 2020 durante o primeiro semestre. E eleições municipais costumam ter mais violência que as estaduais e nacionais. A grande diferença é que desta feita o próprio presidente da República, no exercício do cargo, estimula a violência contra seus adversários, transformados por ele em inimigos. Isto gera uma mudança não só quantitativa, mas qualitativa, da violência. O episódio mais vistoso foi o assassinato, em Foz do Iguaçu, do dirigente petista, Marcelo Arruda, em sua festa de aniversário. O crime foi perpetrado por um policial bolsonarista que disparou seus tiros contra o inimigo político aos gritos de "aqui é Bolsonaro". Fosse apenas esse o episódio, já seria suficientemente grave, mas há mais coisas. Drone que lança excrementos misturados com veneno contra manifestantes num comício de Lula; bomba caseira, cheia de exc

Redes Sociais, Política, Eleições | com Pedro Bruzzi | 136

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Que avaliação se pode fazer do papel das redes sociais na política nos últimos anos, não só no Brasil, mas noutros países? Em particular nas eleições, que impacto as redes podem ter em 2022? Vimos que foram importantes em 2018, com grande vantagem para Jair Bolsonaro e seus aliados; esse cenário pode se repetir neste ano? Para além das eleições, as redes têm importância na definição da agenda pública. Elas influenciam de forma relevante o debate político mais geral, inclusive pautando a imprensa tradicional, que frequentemente vai atrás de algo que surgiu primeiro nas redes. As redes são notícia e influenciam até mesmo a forma de se fazer notícia. Muitas análises sobre o papel das redes na política tomam pelo valor de face os números de seguidores, compartilhamentos e curtidas. Mas será que isso é suficiente para alterar o cenário político? É preciso prestar atenção também no conteúdo do que está sendo difundido para avaliar seu impacto.   Outro aspecto interessante da inf

Limites da Democracia | com Marcos Nobre | 133

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Que perigo (ou quais perigos) o bolsonarismo representa para a democracia brasileira? E como esse movimento de extrema-direita teve sucesso em chegar ao governo central? Os antecedentes da emergência do bolsonarismo e da chegada de seu líder à Presidência da República têm raízes profundas na política brasileira.   As novas direitas surgidas sobretudo após as jornadas de junho de 2013 são um desses antecedentes. O pemedebismo, nascido na redemocratização e que congrega (mas não se restringe) fisiologismo e conservadorismo, é outro. Também a democracia digital, que desloca a democracia de partidos em diversos países. Para entender esse fenômeno este #ForadaPolíticaNãoháSalvação conversa com Marcos Nobre, filósofo, professor de Filosofia Política na UNICAMP e presidente do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP). Marcos acaba de lançar um novo livro, discutindo esses assuntos, e cujo título inspirou o nome deste episódio: Limites da Democracia: de junho de 2013

O Estado de Espírito do Eleitorado | 130 | Com Nara Pavão & Silvana Krause

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As eleições de 2022 apresentam dois cenários distintos nos planos nacional e estadual. Nacionalmente se consolida a bipolarização entre Lula e Bolsonaro, com pouquíssimo espaço para outros concorrentes, mas nos estados a disputa ainda está em aberto. O que explica tal quadro? O que poderia mudá-lo?   O sistema partidário brasileiro tem passado por significativas transformações, ainda que a hiperfragmentação permaneça. Se, por um lado, o PT segue como um polo organizador da disputa nacional – devido ao petismo e ao antipetismo –, nenhum outro partido consegue desempenhar papel similar. O PSDB, que por duas décadas polarizou com o PT nas disputas presidenciais, com desdobramentos em alguns estados, desmilinguiu. Seu candidato presidencial, João Dória, não sobreviveu à impopularidade e ao boicote dentro de seu próprio partido, que segue conflagrado. O bolsonarismo, porém, que logrou (com sucesso eleitoral) substituir o PSDB na polarização com o PT em 2018, não tem ancoragem

Que risco corremos? | Com Celso Rocha de Barros | 125

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A escalada autoritária de Bolsonaro só cresce, tendo como seu alvo preferencial o Poder Judiciário ou, mais exatamente, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A condenação do deputado federal bolsonarista, Daniel Silveira, a quase nove anos de cadeia por ameaças a ministros do STF e ao próprio tribunal teve como resposta uma nova afronta do presidente da República à corte, com a graça concedida por Bolsonaro a seu aliado .   Depois disso, nova crise adveio da observação pelo ministro Luís Roberto Barroso, ex-presidente do TSE, de que as Forças Armadas têm sido orientadas (pelo presidente da República, seu comandante em chefe) a desacreditar o processo eleitoral. O Ministério da Defesa emitiu uma nota agressiva contra Barroso, afirmando ter ele as ofendido . Em meio a isso tudo o STF toma novas decisões contrárias aos interesses do governo ( como as relativas à sua política ambiental ) e se vê às voltas com a questão de como lidar com a situa

Bolsonarismo: linguagem da destruição | Com Miguel Lago | 124

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O que explica a resiliência de Jair Bolsonaro, que apesar do desastre como governo e na provisão de políticas públicas, mantém uma considerável popularidade e assegura ao mandatário um patamar considerável de intenções de voto? A oposição se vê atônita com a forma de agir do ex-capitão do Exército, marcada pelo uso da hiperconectividade das redes sociais e lançando mão de uma política mística, tanto para governar como para amealhar o apoio de uma base social fiel – em vários sentidos que a palavra "fiel" comporta.   Trata-se de um governo reacionário, voltado à "destruição como forma de constituição de uma utopia regressiva" – como enunciado na introdução ao livro. Destrói-se o Estado administrativo brasileiro, suas instituições e suas políticas. Mas há algo a ser construído? Se houver, do que se trata? O bolsonarismo fala muito de liberdade. Porém, qual a noção de liberdade bolsonaresca? Seria a de fazer "o que der na telha"? Seria a liber